Igreja na América Latina: processo de ebulição social e política

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA DA AMÉRICA LATINA
Parte 30

Se no final do século XVIII o continente latino-americano passava por um intenso processo de ebulição social e política, o que o preparava para as mudanças que estavam por vir, como a constituição dos novos estados americanos, também na Península Ibérica a metrópole passava por um processo de ebulição social e política.

Portugal e Espanha no Século XVIII

Espanha

No Século XVIII a Espanha dos Bourbons passava por profundas mudanças, vivendo a 2ª Revolução Agrícola que havia começado na Inglaterra no Século XVII, renovando a agricultura especialmente na Catalunha com o aumento das áreas cultivadas, desenvolvimento da agricultura por irrigação e policultura.

Consequentemente este processo de melhoria da produção haveria de provocar o aumento populacional com a população espanhola passando de 7,5 a 10,5 milhões de habitantes.

O povo que saia da zona rural, mudando-se para as cidades faz aconteceu o seu crescimento das cidades. Madri, por exemplo, chegou a 200 mil habitantes nesta época. Paralelamente a isso se deu o incremento do comércio e o aumento da produção.

Em 1786 havia na Espanha cerca de 190 mil eclesiásticos e 33,5 mil religiosas. Cinquenta anos antes, em 1732, havia 250 mil eclesiásticos. A diminuição aconteceu porque a política iluminista, mais rigorosa e antieclesiástica, provocou uma queda forçada do número do clero

A principal camada da sociedade, a nobreza, ainda possuía a maior parte das terras, mas a burguesia crescia numericamente devido ao predomínio na atividade comercial. Em 1768, a nobreza compunha 7,2% da população, em 1786 este número havia caído para 3,8%.

O século XVIII Espanhol

O termo Século de Ouro se tornou famoso no século XVIII, na voz do escritor e dramaturgo espanhol Lope de Vega, e também na apologia a este período, expressa no clássico Dom Quixote. A expressão evoca uma época remota da história da Humanidade, localizada temporalmente na Idade dos Metais.

Neste contexto a Espanha passava por um período glorioso, localizado entre as grandes navegações e explorações de outras terras, e o declínio do domínio espanhol – de 1492 a 1665. As riquezas provenientes da América e da Índia patrocinaram o esplendor artístico da Espanha, levando sua cultura a atingir um status inigualável.

Plaza Mayor em Madri
O século de Ouro espanhol e os anos posteriores à conquista de América deram à Espanha um pessoal perfil mais urbano, com a construção de monumentos e incentivo às artes.

De 1700 a 1714 aconteceu a Guerra de Sucessão ao trono. Depois dela veio a primeira fase das reformas gerais (1715-1765) e o estado espanhol começa a se modernizar, mas não ainda no ritmo desejado. Na sequência vem a Fase das reformas gerais, marcando o restante do século XVIII, entre 1765 e 1789.

Depois disso acontece uma fase intermediária que persiste até a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte, de 1789 a 1808. Após a Guerra de Sucessão que aconteceu depois da morte de Carlos II em 1700, que morreu sem deixar descendentes, a dinastia francesa passou a dominar a Espanha que perdeu suas possessões na Itália, perdendo também os Países Baixos, vendo ainda o comercio e a influência inglesa crescer dia por dia.

Após 1717, as relações entre a Igreja e o estado entraram naquela fase conhecida como regalismo ou do catolicismo iluminado. Neste tempo foram firmados diversos concordatos que colocaram a Igreja totalmente submissa ao estado.

Em 1761 a Espanha de Carlos III (1759-1788) se uniu com a França para combater a Inglaterra, mas foi derrotada, perdendo diversas de suas colônias. Neste tempo o Uruguai passou a ser uma possessão de Portugal.

À crise externa se uniu a crise interna, com largos movimentos populares o que ofereceu os motivos para a expulsão dos Jesuítas em 1762. Os filhos de Santo Inácio de Loyola foram acusados de incitar este descontentamento popular que levava às manifestações.

Depois da independência das 13 Colônias Americanas ocorrida em 1776 e da Revolução Francesa ocorrida em 1789 mudou bastante a situação geopolítica européia, mas os ingleses continuavam crescendo e ditando as regras do mundo. Com a Guerra de 1779-188, a Espanha perdeu o Estreito de Gibraltar e, apesar de alguns triunfos passageiros e melhoria do comércio no reinado de Carlos IV (1788-1808) a situação se complicou de vez com a invasão napoleônica.

Neste tempo a Inglaterra começou a incentivar e financiar a luta pela autonomia dos países da América Latina. Nas primeiras décadas do século XIX quase todos os países do continente já teriam conseguido a sua independência.

Portugal

Se a Espanha dobrou-se ao domínio da Inglaterra, também Portugal também começou o século XVIII se submetendo à Inglaterra e, como a Espanha, também assinou um tratado de livre comércio, o Tratado de Methuven (1703)

Caravelas Portuguesas
No século XVIII as riquezas da América continuavam inundando as nações européias.

Naquele tempo chegou ao máximo a exploração do ouro das Minas Gerais e Portugal também recuperou o controle do comércio e da produção do açúcar que havia perdido para Holanda no século XVII. Agora se fazia aquele quadrado comercial tão falado nos livros de história, pois Portugal dependia do capitalismo industrial da Inglaterra. O ouro saía do Brasil, passava por Portugal, indo cair nas mãos dos capitalistas ingleses que com ele financiavam a Revolução Industrial na Europa que depois enviava seus produtos manufaturados para aquelas regiões que haviam sido colônias de Espanha e Portugal.

A partir da libertação total de Espanha, em 1668, sob a tutela da Inglaterra, Portugal perdeu várias colônias na África e Ásia, mas reafirmou o seu domínio sobre o Brasil.

Com Dom João V (1706-50) começou a política do catolicismo iluminado pela influência da universidade de Coimbra. Nas relações com a Igreja predominava então o Galicanismo.

Com Dom José I (1750-77) esta política chegou ao máximo por causa do influxo do Marquês de Pombal, o ilustrado Sebastião José de Carvalho que tomou várias medidas contrárias à Igreja:

– Em 1750 as Missões Jesuíticas passaram ao controle de Portugal;

– Em 1759 se deu a expulsão dos Jesuítas;

– O estado português, braço secular da Igreja, passou a usar a inquisição ao seu próprio proveito;

– Um dos primeiros campos a ser tomado pelo estado laico e secular foi o da educação e o despotismo esclarecido promoverá uma ampla reforma da educação para dela tirar os resquícios do Sistema Escolástico.

De 1777-92 se deu o governo de Dona Maria I, conhecida como “a louca” e de Dom João I como príncipe regente (de 1799-1816).

Em 1808 as tropas de Napoleão invadiram Portugal e a família real foi obrigada a fugir para o Brasil.

Fonte: a12

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