Caminhos de Missão

A sabedoria, que é a arte de saber viver, está, muitas vezes, na forma como construímos nossas relações, na harmonia da nossa vida pessoal, no trabalho e na extensão de nossa ação na sociedade, como ser religioso, social e político. Em todos os lugares e das mais variadas formas, somos chamados a viver a missão.

A origem da missão se encontra em Deus, que confia seu Plano de Salvação Universal a Jesus, no Espírito Santo. É Deus próprio que decide sair de si mesmo e vir ao nosso encontro com seu amor sem limites. Portanto, ao falarmos de missão, não falamos apenas de uma atividade, mas da essência divina de Deus que não se contém, mas transborda, se comunica com a humanidade. A revelação de Deus amor se dá em Jesus Cristo. Ele escolhe e chama discípulos para estar com Ele, formar comunidade na unidade com o Pai e o Espírito e viver a missão de Deus até os confins da terra. Todos os que seguem Jesus, pelo batismo, em qualquer estado de vida, laical, consagrada ou ordenada, recebem do Mestre a ordem de continuar a mesma missão como Igreja. Dessa forma, não é a Igreja que tem a missão, mas a missão que tem a Igreja e a envia. Não é o missionário que leva o Evangelho, mas é o Evangelho que leva o missionário até os confins do mundo para fazer discípulos (Mt 28, 19).

A Igreja de Jesus Cristo é católica, isto é, universal, porque é chamada a construir a comunidade do povo de Deus em todos os lugares, exercendo ações concretas, participando ativamente, com as “mãos na massa”, na realização do Reino do Pai de todos. Uma comunidade que continue o jeito de ser e de se relacionar do Mestre, portanto uma comunidade solidária e fraterna onde tudo se partilha. A adesão ao Modelo é tamanha que as pessoas que dela estão imbuídas, sentem a necessidade de estender a rede, alcançar sempre mais espaços, chegando aos “confins do mundo”(At 1,8). Foi o que Paulo fez logo após a sua conversão. “Saulo esteve alguns dias com os discípulos em Damasco, e imediatamente, nas sinagogas, começa a proclamar Jesus, afirmando que ele é o Filho de Deus” (At 9,20).

A Missão no local onde se encontra significa agir concretamente, participar ativamente, ajudar a transformar a realidade concreta de pessoas, de grupos, de sociedades, anunciando a Boa Nova, antes de tudo pelo testemunho.

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Batendo a tecla do comportamento pautado segundo o Espírito, não se deixando levar pela carne, o apóstolo Paulo enfatiza a caridade como dom maior, onde o dom da profecia, da ciência, da fé e do martírio não seriam nada sem o amor (1Cor 13). “Deus é amor”(1Jo 4,16) e, viver segundo o Espírito é entrar no mistério do Amor que é o próprio Deus. É entrar no ritmo de Deus, adentrar no seu espaço misterioso, porque os seus critérios, os seus julgamentos não são os dos homens. É sabedoria infinita, é eternidade. Não existem limites e nem tempo, é diálogo que não se interrompe. Viver segundo o Espírito de Jesus é viver já, na morada estabelecida por Jesus e o Pai (cf Jo 14, 21). É a Ssma Trindade que monta a sua “tenda” em nós mesmos. É comunhão na Trindade, é simbiose como consequência de uma relação mística profunda, possibilitando instaurar uma relação nova pautada pelo amor, em vista da construção de uma sociedade de amigos, de irmãos.

É maravilhoso perceber esta simbiose de Paulo com Jesus Cristo ao ponto de se identificar com o próprio Cristo, quando ele, superando a teologia da justificação só pela Lei, convertendo-se radicalmente para entrar numa relação de gratuidade de Deus, alcança a verdadeira liberdade dos filhos de Deus, e exclama: “ Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20). Imerso no mistério de relação de gratuidade, a transformação se revela na convicção profunda que ganha força e ardor que nada mais poderá detê-lo. Tem a certeza de que sua ação é a mesma de Cristo, convence-se de que a missão do Pai confiada a Cristo é doravante a sua missão.

No seu ardor e zelo não se importa se é reconhecido e recompensado ou não pelo trabalho. Cumprir a missão recebida é um compromisso que ultrapassa todas as formalidades legais de reconhecimento, de remuneração, de direitos. A relação que se instaura é incompreensível para a lógica humana.

O importante é emprestar a voz para continuar anunciando o evangelho, emprestar os pés para continuar devorando quilômetros e atingir maior número de pessoas, doar a própria vida para estar totalmente a serviço da evangelização. “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar o evangelho!” (1Cor 9,16). Um Evangelho não pregado nas cátedras, nos púlpitos, por um mestre que expõe seu conhecimento e sabedoria, mas sim de missionário que se faz trabalhador junto dos trabalhadores, que se incultura pela identificação com o povo.

O discípulo missionário deve ajudar a resgatar as sementes do Verbo em cada pessoa, cultura, em cada época, revelado a solidariedade em vista da utopia de um novo céu e uma nova terra. É viver o anseio por estabelecer uma nova ordem sempre presente em cada época; o sonho de todos viverem a vida em paz, sem ganância ou fome, sem matar ou morrer, uma irmandade de homens.

A missão de Jesus recebida do Pai esteve sempre presente nos anseios mais recônditos de cada ser humano, apesar de, na maioria das vezes, ser abafada pela cultura de consumo e de morte. Como Jesus que veio realizar a missão recebida do Pai de anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a remissão aos presos e aos cegos, a recuperação da vista, para restituir a liberdade dos oprimidos (cf. Lc 4, 18-19), pregar e expulsar os demônios (Mc 3,15); assim todo discípulo missionário deve assumir, hoje, a missão que Jesus iniciou, contra os poderes do mal que empobrecem a vida do povo.

A razão pela qual Jesus veio ao mundo deve estar sempre presente na vida de todos, como realizadores do projeto do Pai: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)

A sabedoria, que é a arte de saber viver, está, muitas vezes, na forma como construirmos nossas relações, na harmonia da nossa vida pessoal, no trabalho e na extensão de nossa ação na sociedade, como ser religioso, social e político.

A Igreja é rica em dons, frutos do Espírito Santo que se manifestou durante a história e se manifesta ainda hoje. Os diversos Institutos, Ordens e Congregações religiosas são expressões dessa ação do Espírito, que lançou mão de homens e mulheres para tornar mais visível a graça de Deus em situações e momentos específicos, dando respostas aos gritos de clamor. Tendo o Projeto de Deus como centro, na pessoa de Jesus Cristo, todas as Famílias Religiosas convergem para o mesmo fim, dentro da especificidade do seu carisma, espiritualidade e missão. Torna-se rica a caminhada das comunidades eclesiais que podem beber dessas fontes.

A Sociedade do Divino Salvador foi fundada sob a inspiração dada pelo Espirito Santo ao Padre Francisco Maria da Cruz Jordan. A partir do carisma – missão – espiritualidade salvatoriana, surgem as cinco linhas do apostolado salvatoriano, que servem de guia e referência para complementar a ação apostólica salvatoriana.

As cinco linhas do apostolado salvatoriano são:  Comunicação, Missionariedade, Defesa da Vida, Juventude e Formação de Lideranças.

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