Campanha da Fraternidade de 2018 tem como Lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8) e como Tema: “Fraternidade e superação da violência”.  A Igreja Católica começou a Campanha da Fraternidade em 1964 em nível nacional, e a cada ano até 2018 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou a Campanha como caminho de conversão quaresmal.

Em 1983 o tema da CF foi “Fraternidade e Violência” e em 2009 o tema apresentado abordou “Fraternidade e Segurança Pública”. A violência no Brasil cresceu assustadoramente nos últimos vinte anos. A CNBB através da Campanha da Fraternidade afirma: “Apesar de possuir menos de 3% da população mundial, nosso país responde por quase 13% dos assassinatos no planeta”. Em 2014, “o Brasil chegou ao topo do ranking, considerado o número absoluto dos homicídios”. Foram 59.627 mortes, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), (cf. CF, p.15).

A CF deste ano afirma que: “O narcotráfico movimenta mais de 400 bilhões de dólares por ano, sendo um dos setores mais lucrativos da economia mundial. A guerra às drogas criminaliza o pequeno varejista e o usuário e favorece os grandes empresários de drogas e o sistema financeiro internacional. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2008, cerca de 352 bilhões de dólares do comércio de drogas foram absorvidos pelo sistema bancário do planeta” (cf. op. cit. p.37). Dados da Secretaria Nacional Antidrogas e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes indicam que no Brasil há entre 20 e 30 milhões de viciados em álcool, contra 870 mil dependentes de cocaína (cf. op. cit. No. 108).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil através da Campanha da Fraternidade deste ano afirma que “o combate às drogas tornou-se uma ação articulada por vários paísesutilizando-se de uma estratégia de guerra, camuflada de política de segurança pública, com outras políticas de criminalização de pobres, negros e usuários, resultando na ocultação e proteção daquelas que produzem e distribuem as drogas, ou seja, os barões desse comércio internacional” (cf. op. cit. No. 110, p. 37). Os bispos infelizmente não aprofundaram mais sobre essa afirmação pois deve ser levada ao conhecimento dos Governadores de Estados e do Governo Federal do Brasil.

Os bispos terminam o trecho do documento da Campanha da Fraternidade de 2018 sobre “Violência e Narcotráfico” com estatísticas chocantes. O texto-base da CF afirma: “O impacto do aprisionamento em massa decorrente do tráfico de drogas se tornou um problema mundial devido a guerra às drogas. Segundo a London School of Economics, 40% dos nove milhões de presos em todo o mundo foram aprisionados em razão do comércio e de uso de substâncias consideradas ilícitas” (cf. op. cit. P, 38). Este trecho do texto-Base termina com as seguintes estatísticas do Departamento Penitenciário (Depen) que causa preocupação: “67% dos presos no Brasil são negros, 56% têm entre 18 e 29 anos de idade, e 53% não completaram sequer o Ensino Fundamental. No caso de encarceramento feminino 63% das mulheres estão presos por tráfico de drogas” (cf. No. 114 do op. cit.).

No acompanhamento aos usuários de drogas, a Igreja Católica e suas entidades que trabalham neste sentido estarão sempre ao lado do dependente para ajudá-lo a recuperar sua autoestima e vencer esta enfermidade.

Pe. Brendan Coleman Mc Donald
Missionário Redentorista
Fortaleza (CE)

Fonte: A12